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...“ Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram ..." ( Carlos Drummond de Andrade )...
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O vôo
... Esgota, como um pássaro,
As canções que tens na garganta.
Canta. Canta para conservar a ilusão
De festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
Que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste
Não és mais que um vôo no tempo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota?
Voa e canta
Enquanto resistirem tuas asas.Menotti del Pichia
chuva
Chove uma grossa chuva inesperada
que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
duma vida que é chuva e não parece.
Chove, grossa e constante,
uma paz que há-de ser.
Uma gota invisível e distante
na janela, a escorrer.Miguel Torga
LiberdadeAqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.Sophia de Mello Breyner Andresen
![]()
E por vezesE por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.David Mourão-Ferreira
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e contratem para seu baile ou festa...visitem..
Sede como os pássaros que,
ao pousarem um instante
sobre ramos muito leves,
sentem-nas ceder, mas cantam!
Eles sabem que possuem asasVictor Hugo

Depois de algum tempo, você aprende a diferença...
a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e os olhos adiante com a graça de um adulto,
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vôo.
Depois de um tempo,
você aprende que até o sol queima
se você ficar exposto por muito tempo.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte e que realmente tem valor...
William Shakespeare
Deve- se estar sempre bêbado.
É a única questão.
Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo,
que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra.
É preciso te embriagares sem trégua.Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude?
A teu gosto mas embriaga-te.E se alguma vez sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva
de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu te encontras com
a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga,
à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que gira,
a tudo aquilo que voa, a tudo aquilo que canta,
a tudo aquilo que fala, a tudo aquilo que geme.Pergunte que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão.É hora de se embriagar !!!
Para não ser como os escravos martirizados do tempo,
embriaga-te. Embriaga-te sem cessar.De vinho, de poesia ou de virtude. A teu gosto...
(Charles Baudelaire)

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«Era uma mulher voluptuosa, mas muito sensível. Escrevia poemas e guardava-os no sempre emocionante espaço que existe entre um seio e outro.
Alguns homens não a largavam à procura de inéditos.» Gonçalo M. Tavares
«Morri pela Beleza -- mas mal me tinha
Acomodado à Campa
Quando Alguém que morreu pela Verdade,
Da Casa do lado --Perguntou baixinho "Por que morreste?"
"Pela Beleza", respondi --
"E eu -- pela Verdade -- Ambas são iguais --
E nós também, somos Irmãos", disse Ele --
E assim como parentes próximos, uma Noite --Falámos de uma Casa para a outra --
Até que o Musgo nos chegou aos lábios --
E cobriu -- os nossos nomes --»
In:«POEMAS E CARTAS»
Emily Dickinson
Ed. Cotovia
«Hoje em dia pretende-se explicar tudo.
Mas se se pudesse explicar um quadro
não seria uma obra de arte. Quer que
eu lhe diga que qualidades constituem
a verdadeira arte? Ela tem que ser
indescritível e inimitável... A obra de
arte tem que arrebatar o observador,
por-se à sua volta e levá-lo consigo.
Nela o pintor transmite a sua paixão,
ela é a corrente que ele emite e pela
qual ele envolve o observador na sua
paixão.»RENOIR, Pierre-Auguste (1841-1919)
(Fonte:«RENOIR»Peter H. Feist Ed TACHEN)
«Dir-se-ia que qualquer análise
dos nus de Modigliani apenas
permite duas atitudes extremas.
Ou os vemos como um mistério,
como uma expressão de pureza,
como a revelação de «toda a dolo-
rosa fragilidade do ser» (para citar-
mos mais uma vez Scheiwiller), ou
os rejeitamos liminarmente como
evidência tardia de uma visão deli-
cada e afectada do corpo humano,
os últimos estertores do fin de siécle
e do seu culto decadente da mulher
como «femme fatale» ou «femme
fragile»...«Nu Sentado num Divã», 1917
AMEDEO MODIGLIANI 1884-1920
(Fonte: «MODIGLIANI» Krystof, Doris)
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Deixo aqui o endereço de meus outros blogs...
http://cantinhodalaranjalima.blog.uol.com.br/index.html
http://eraumavezlali.zip.net/index.html
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David Mourão-Ferreira, 1927-1996, Portugal
Professor da Faculdade de Letras de Lisboa, deixou uma obra importante no domínio da crítica e da teoria literária (Hospital das Letras, 1966, Lâmpadas no Escuro, 1979) e demonstrou domínio notável na arte do conto (Os Amantes e Outros Contos, 1968), escrevendo um romance de êxito assinalável (Um Amor Feliz, 1986).
Mas é na poesia que o seu talento se desenvolve com incomparável mestria composicional (A Secreta Viagem, 1950), aliando a experiência do sentimento (do tempo, do amor, da escrita, da cidade, da paisagem) ao virtuosismo da sua expressão poética, em obras como Os Ramos os Remos, 1985, ou Música de Cama, 1994.
Teoria das marésCalidamente nua,
sob o vestido leve,
tua carne flutua
no desejo que teve.Timidamente nua,
revelas, num olhar,
em minhas mãos, a lua
que te fez oscilar.
Encontro
O teu mistério decifrei-o
numa pupila cega:
fechado e aberto como um seio
que pela noite se me entrega.A luz, se vinha, não descia
do coração nem dos sentidos:
mas concentrava a extática alegria
de nos sentirmos confundidos.
Soneto do cativoSe é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso.
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